Como tudo, a covid-19 está dividindo ricos e pobres.

Aparentemente, o novo coronavírus chegou por aqui com as pessoas de mais renda que espalharam o vírus (sem saber) em viagens de férias e em conferências internacionais. Mas ao chegar à classe trabalhadora a Covid-19 encontrou um ambiente ainda mais propício para sua propagação, pela precariedade das condições de higiene, pela falta de assistência à saúde e até mesmo pela impossibilidade de se praticar o chamado “isolamento social” por parte dessas pessoas.

E isso a gente percebe até observando a evolução da doença em nossa cidade. Os primeiros casos em Natal se concentravam nos bairros nobres de Petrópolis e Tirol. Agora, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SESAP-RN), três bairros da Zona Norte já ocupam as três primeiras posições no número de casos de Coronavírus.

A diferença entre ricos e pobres na quarentena é assustadora. Enquanto os mais ricos deixam o isolamento por opção, os mais pobres o fazem por não terem opção. Precisam buscar renda e até mesmo se aglomerar nas filas da Caixa Econômica Federal para receber o famigerado auxílio emergencial do Governo de R$ 600,00. A diferença também tá no discurso. Os mais ricos defendem o afrouxamento das medidas de isolamento em carreatas com seus carrōes de luxo, enquanto os mais pobres sabem que precisam ficar em casa, mas não podem e se sujeitam aos riscos no transporte público que, diga-se de passagem, está precário e arriscado.

Enquanto o nível do isolamento cai e o número de casos e mortes crescem aqui no RN e em todo o Brasil, a gente presencia um “break na quarentena”, se é que é possível. Um grupo de amigos, a maioria empresários, (acredite, havia até um juiz entre eles) organizou um almoço regado a bons vinhos e com direito a selfie com todos abraçados em meio a uma pandemia, no melhor estilo Gabriela Pugliesi. Seria o anfitrião desse almoço a nossa Pugliesi? Sim, Felinto Filho é empresário, dono de rádios que todos os dias noticiam os riscos da Covid-19. Mas não toma os mesmos cuidados em sua própria casa. Muito parecido com a digital influencer que gravava vídeos pedindo para todos ficarem em casa e usarem álcool em gel, mas que resolveu dar festinhas e foi criticada a ponto de perder todos os seus anunciantes. Um péssimo e perigoso exemplo. Já Felinto, recebeu o grupo em seu apartamento. Imagino que todos foram de elevador apertando botões, pegando em maçanetas e colocando em risco todos os moradores daquele condomínio. Será que os vizinhos gostaram disso?

Mas você ouviu falar sobre isso? Porque será que o “break na quarentena” não virou notícia? A foto chegou a circular em grupos de Whatsapp, mas ninguém escreveu, publicou, noticiou ou comentou o ocorrido. Todos os dias vemos na imprensa potiguar notícias de pessoas que descumprem o isolamento. Teve até um presidente de câmara municipal no interior preso por dar uma festa. Fica a pergunta: Porque não expuseram esse grupo? Vou tentar responder retomando o pensamento inicial de que a Covid-19 nos divide entre ricos e pobres. Os ricos podem tudo, inclusive colocar em risco a vida dos mais pobres.

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