Das páginas dos jornais para os palcos. Esse é o caminho que crônicas de autores brasileiros vão percorrer até a noite de amanhã (30), quando o espetáculo “Recortes do Cotidiano” chega ao Teatro Riachuelo, em Natal, para única apresentação. A produção, que reúne dramaturgia, dança e música, tem a assinatura do Complexo Educacional Contemporâneo e conta mais de 500 pessoas em cena.

A narrativa da crônica tem como característica principal o relato do cotidiano. Porém, a visão crítica dos fatos é um outro traço marcante desse gênero textual, razão pela qual temas controversos são recorrentes na sua prosa. Em tempos de participação social relevante Brasil afora, o espetáculo busca numa estrutura de texto centenária, pontos de vista atuais, que justificam até mesmo o contestar da população nas ruas.

Ao todo, 16 crônicas ganham uma versão moderna e dinâmica no palco, por meio de “Recortes do Cotidiano”, com canções conhecidas, elementos cênicos criativos e coreografias contemporâneas. São textos de autores celebres como o realista Machado de Assis e o pós-modernista Carlos Drummond de Andrade, mas também de outros amigos das letras com obras mais recentes, a exemplo de Luís Fernando Veríssimo e Arnaldo Jabor.

Há ainda nomes potiguares entre o rol dos cronistas que vão ter as suas palavras interpretadas, cantadas e dançadas na produção. De autoria de Luís da Câmara Cascudo, a crônica “Proteção da Alegria Popular” terá a sua versão teatral. Também norte-rio-grandense, o jornalista e escritor Vicente Serejo emprestou “Ah, as elites!” como um dos textos que serviu de matéria prima para a montagem do espetáculo.

“Recortes do Cotidiano” visita grandes crônicas brasileiras, saudando seus autores e as relacionando com o contexto atual, e dá vida a escritos por meio da música, da dança e do teatro. Com direção geral de Irany Xavier de Andrade e Mariany Andrade e coreografias de Rubens Barbosa, o espetáculo corresponde a 11ª edição do projeto “Fest Show”, do Contemporâneo, e utiliza recursos artísticos incrementados para lembrar o público de algo que dispensa pompas: a força da palavra.

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