O comunicado divulgado hoje (14) pelo Sindicato dos Médicos do RN – SINMED/RN criticando a necessidade de ‘lockdown’, defendida pelo Sindicatos dos Servidores da Saúde do RN que entrou com pedido liminar para assegurar o isolamento mais restritivo por 15 dias, causou divergências entre os médicos. O hematologista e clínico geral, Enildo Alves, considera que o posicionamento do Sindicato dos Médicos carece de embasamento e estudos científicos que atestem o uso seguro do medicamento. “Chega a ser irresponsável defender o uso da hidroxicloroquina para tratar pacientes da Covid-19. Na Europa e nos Estados Unidos o medicamento foi descartado em razão dos efeitos colaterais e com 6 meses do novo Coronavírus circulando no mundo não há nenhum estudo científico que ateste sua eficácia para tratar a infecção”, argumentou o médico.

Até a pandemia do Coronavírus, a cloroquina era conhecida como um medicamento usado no tratamento de doenças como malária, lúpus e artrite reumatoide. Com o avanço da Covid-19 e sem uma terapia comprovada cientificamente para combatê-la, médicos ao redor do mundo passaram a testar diversas drogas e associações entre elas, especialmente para os casos mais graves – e a cloroquina é uma delas. Ao menos 65 estudos estão sendo realizados no mundo para investigar a eficácia da cloroquina e hidroxicloroquina contra a Covid-19. Por enquanto, três foram finalizados: dois chineses e um francês, e os resultados são controversos. O que era mais um medicamento sendo receitado na luta contra a Covid-19 ganhou destaque após ser citado pelos presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, dos EUA, como possível solução para a pandemia. Para Dr. Enildo, quem defende o uso do medicamento deve ter algum tipo de motivação política. “Só algum tipo de alinhamento político com o governo do presidente Bolsonaro justificaria o uso dessa medicação sem a comprovação da sua eficácia”, afirma Alves.

Já a médica infectologista Dra. Rosangela Morais, que foi aluna de Enildo na UFRN, apoia a posição do Sindicato dos Médicos em usar o medicamento para tratar pacientes com a Covid-19. “O embasamento está no conhecimento da fisiopatologia da doença, no mecanismo de ação da droga (já comprovada com estudos “in vitro” e prescrita há 70 anos por profissionais brasileiros e de todo mundo), vários estudos observacionais e experiência clínica exitosa de alguns serviços. Doença nova com potencial de mortalidade! Por que não fazer? Talvez essa deveria ser a melhor pergunta”, questiona a infectologista.

Para o secretário adjunto de saúde do RN, o médico Petrônio Spinelli, os protocolos de tratamento, inclusive com uso da hidroxicloroquina estão em análise. “Existe muito lobby nesse momento e é preciso ter cautela e aguardar os resultados das pesquisas”, afirmou o gestor.

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