A reportagem do jornal ‘A Folha de São Paulo’ é direta e aponta a candidatura à reeleição do prefeito Carlos Eduardo Alves como um ensaio para a disputa pelo governo em 2018.

Campanha no Nordeste é ensaio para candidaturas a governador em 2018

JOÃO PEDRO PITOMBO
DE SALVADOR

Eles se negam a falar em 2018, mas só pensam nisso.

A disputa eleitoral nas maiores capitais do Nordeste antecipa duelos que devem acontecer nas eleições para governador daqui a dois anos.

Seis dos nove prefeitos de capitais da região disputam a reeleição neste ano e são prováveis candidatos a governador de seus Estados em 2018, caso saiam vitoriosos das urnas agora.

Favorito nas eleições para a prefeitura de Salvador, o prefeito ACM Neto (DEM), 37, prepara terreno para disputar pela primeira vez o governo da Bahia contra o governador Rui Costa (PT), que deverá se candidatar à reeleição daqui a dois anos.

Para isso, montou uma estratégia que inclui participação em atos de campanha no interior, sobretudo em municípios da região metropolitana de Salvador -nas próximas duas semanas estão previstas visitas do prefeito a seis cidades.

Nas cidades aonde ACM Neto não vai, sua gestão tem servido como cartão de visita para candidatos da sua base política.

Invariavelmente, aliados dizem que levarão para suas cidades o modelo de gestão do prefeito da capital.

“O prefeito mostrou que não precisa de governador, não precisa de PT para fazer uma boa gestão. É natural que ele se torne uma referência para outros candidatos da oposição”, diz o presidente do DEM na Bahia, deputado José Carlos Aleluia.

O prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), 40, é outro que se prepara para disputar o governo do Estado.

Caso conquiste um novo mandato em Maceió, será o principal nome para tentar barrar a reeleição do atual governador, Renan Filho (PMDB), filho do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Em João Pessoa, o prefeito Luciano Cartaxo (PSD) é favorito à reeleição e deve disputar o governo do Estado em 2018. Para isso, apostou numa estratégia ousada.

O primeiro passo foi dado em 2015, quando desfiliou-se do PT. Rompeu com o governador Ricardo Coutinho (PSB) e aproximou-se do PMDB e do PSDB -partidos que historicamente eram adversários na Paraíba. Seu principal desafio será reeditar a aliança em 2018.

A perspectiva de concorrer ao governo cacifou o posto de candidato a vice-prefeito. Na capital paraibana, o deputado federal Manoel Júnior (PMDB) abriu mão de sua candidatura a prefeito para compor com Cartaxo.

Em Salvador, cinco partidos chegaram a disputar a vaga de vice de ACM Neto, que ficou com o PMDB do ministro Geddel Vieira Lima, chefe da Secretaria de Governo, antecipando uma aliança entre os dois partidos daqui a dois anos.

Também são cotados para disputar governos estaduais os atuais prefeitos de Natal, Teresina e Aracaju.

Em Natal, o prefeito Carlos Eduardo (PDT) tornou-se o herdeiro natural de seu grupo político depois que seu primo, o ex-deputado e ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB), virou alvo das investigações da Operação Lava Jato.

Em Teresina, o prefeito Firmino Filho (PSDB) mostrou força ao montar uma aliança de 21 partidos para sua reeleição, tornando-se o principal nome para tentar destronar o governador Wellington Dias (PT) daqui a dois anos.

Governador de Sergipe por três mandatos, o prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM), deve concorrer novamente ao cargo em 2018. Para isso, contudo, terá que superar a própria rejeição -seu mandato na capital é desaprovado por 70% da população, segundo o Ibope.

O cenário de prefeitos pavimentando candidatura para 2018 tem motivado um maior engajamento dos governadores -que estão em campo político oposto- na disputa eleitoral das capitais.

Na Bahia, o governador Rui Costa (PT) tem aparecido quase diariamente no programa eleitoral da candidata aliada Alice Portugal (PCdoB), elencando obras do seu governo na capital como o metrô, novas avenidas e obras de contenção de encostas.

A participação do governador no horário eleitoral chegou até a render uma derrota para a candidata comunista na Justiça Eleitoral -o governador chegou a ocupar mais de 25% do programa do PC do B, o que é vedado pela legislação.

Em Alagoas, o ex-prefeito de Maceió Cícero Almeida (PMDB) participou de inaugurações e atos oficiais do governo Renan Filho na capital antes do início da campanha.

Na Paraíba, o governador Ricardo Coutinho decidiu testar sua força na capital ao escolher uma secretária de sua gestão, Cida Ramos (PSB), para disputar a prefeitura.

A exceção é o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), que ficou de fora da campanha e não apoia nenhum dos sete candidatos à prefeitura de Natal.

O governador tinha a intenção de apoiar Fernando Mineiro (PT) na capital. Mas a aliança foi rompida em abril deste ano, após o apoio do PSD ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

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