O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ricardo Valentim, que estava desempenhando trabalho no Comitê Científico do Consórcio do Nordeste na luta contra a pandemia do Coronavírus no RN, declarou nesta sexta-feira, 15, que não faz mais parte Comitê por divergências internas, conforme noticiamos AQUI

Em entrevista concedida ao BLOG ANTENADO na manhã de hoje (15), Ricardo Valentim nos relatou o que seria a “bolha científica” no Comitê, declarado por ele em nota à comunidade, e os pontos divergentes que causaram o afastamento. “Você está num ponto da ciência, que é o Comitê do Consórcio Nordeste, sem olhar para questões regionais. É preciso que se observe essas questões regionais. O RN tem suas singularidades. É importante observar essa dinâmica própria do RN, para que através da ciência se tome medidas de intervenção.”, disse Valentim. O professor disse ainda que o RN tem um comitê de especialistas, que foi formado pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesap), que é muito competente, tão quanto o Comitê do Consórcio Nordeste. 

Valentim falou na entrevista que o Consórcio é super importante porque “institui uma rede de pesquisa para fortalecer a questão do enfrentamento da Covid-19, sendo uma grande contribuição para a região nordeste, se tiver uma escuta dos aspectos regionais”. 

A respeito do trabalho do cientista Miguel Nicolelis, coordenador da comissão científica do Consórcio Nordeste, Ricardo Valentim disse que não houve divergências pessoais, mas da metodologia de trabalho. “A coordenação do Comitê precisa, sim, fazer uma escuta loco-regional. Faltou em vários momentos a escuta para entender o que está acontecendo. O comitê do estado (LAIS) tem pautado várias ações com relação ao enfrentamento. Um comitê altamente especializado, de renome nacional e internacional.”, disse. 

Em relação a “bolha científica”, Valentim deixou claro que é a “forma”, “dinâmica” que foi construída. “É preciso de uma instrução normativa, que regule os processos de trabalho, que seja sistematizado. Então essa falta de sistematização do trabalho científico cria uma bolha (no Comitê do Consórcio Nordeste), então você começa a achar que a sua concepção é suficiente para resolver todos os problemas do Nordeste, que é uma região heterogênea. Basta observar que o Ceará e Pernambuco estão em situações totalmente diferentes em questão de epidemia do Rio Grande do Norte.” 

Ficou claro que o professor discorda da ideia de bloqueio generalizado (lockdown) na região Nordeste, mais precisamente em todo o RN. Lockdown defendido pelo então coordenador do Comitê Científico do Nordeste, Miguel Nicolelis. Não é de hoje que cientistas divergem de Nicolelis. Em 2013, um grupo de cientistas brasileiros publicou um manifesto questionando a conduta do neurocientista. O documento, publicado na internet e assinado por sete pesquisadores, acusava Nicolelis de agir em interesse próprio em sua função como coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) “Interfaces Cérebro-Máquina” (INCeMaq), projeto idealizado por ele, localizado em Macaíba (RN). Quem saiu em defesa de Nicolelis, acusou o professor Sidarta Ribeiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) de tentar uma “vingança pessoal” contra o neurocientista. 

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