Neurocientista usa metáfora de um carro que capota para refletir sobre o Brasil atual, que vê Bolsonaro e seu entorno dobrarem a aposta no negacionismo e na desinformação em meio à pandemia. Quando o capotamento parar, será preciso resgatar o que a alma brasileira tem de mais amoroso, solidário e criativo, diz.

Quem já passou por acidente de carro frequentemente conta a mesma história. O tempo desacelera e pode-se perceber em detalhes os eventos que transcorrem nos instantes antes do choque. É como se o movimento quase cessasse na iminência do estrondo violento, num pico de acuidade sensorial que cresce à medida que se aproxima o desastre, tão nitidamente prenunciado e mesmo assim inevitável. Inexorável. Bum.

Estamos em plena capotagem, no tempo veloz mas paradoxalmente esticado dos desastres em curso. E que desastre! Reflitamos.

O capitalismo predatório, do alto de seus cinco séculos de vida, era até 2019 um bólido titânico rumando celeremente para o precipício da crise socioambiental. Firmemente fundado nos instintos ancestrais de acumulação e opressão, cada vez mais potentes e acelerados, atropelando a natureza à frente, nada parecia capaz de freá-lo.

Fonte: Folha de S.P.

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